Bia Haddad opera o ombro esquerdo e inicia recuperação
Beatriz Haddad Maia foi operada no manguito rotador do ombro esquerdo, cumprindo o plano anunciado em setembro, e tem pela frente uma recuperação estimada em quatro meses até voltar a treinar.
A operação encerra no papel uma temporada que já tinha acabado na prática, com apenas quatro vitórias em 23 jogos, longe do que a própria Bia esperava. Ex-número 10 do mundo, a paulistana de 30 anos deixou o circuito como 134ª do ranking. Hoje, é a 439ª.

“Estou aqui para dividir com vocês que acabei de fazer a cirurgia. Agora vou aproveitar este momento para focar 100% na minha recuperação e voltar às quadras da melhor forma possível. Obrigada a todos pelo carinho!”, publicou a tenista nas redes sociais.
Quem operou foi o Dr. Gilbert Bang, que acompanha Bia desde o começo no esporte e a quem ela se refere como “um grande amigo que o tênis lhe apresentou”. Ao anunciar a operação, em setembro, ela já havia informado que o procedimento ficaria a cargo do mesmo médico responsável pela cirurgia no ombro direito, anos atrás. Ela conhece o roteiro, portanto. E sabe, como lembrou naquela ocasião, que a reabilitação de um ombro está longe de ser simples.
A lesão, no ombro do braço que empunha a raquete (Bia é canhota), a incomodava havia cerca de dois anos e piorou bastante nos últimos doze meses. Antes de bater o martelo, a tenista e sua equipe ainda apostaram no tratamento conservador durante os dois meses em que ela já estava parada. Na entrevista coletiva de 10 de setembro, em São Paulo, a brasileira deu a dimensão do problema. “Eu sinto dor até para dormir. Ela já está bem chata. Estava insuportável sacar”, disse Bia na ocasião. O incômodo chegava a interferir na escolha entre sacar e receber.
Do top-10 ao 439º lugar
O último jogo foi em 30 de junho, na estreia de Wimbledon: derrota para a uzbeque Maria Timofeeva, por 6/3 e 6/2. A última vitória datava do fim de abril, no WTA 125 de La Bisbal, na Espanha. Ao longo da temporada, Bia ainda encerrou a parceria de seis anos com o técnico Rafael Paciaroni.
Os números destoam do currículo. Bia foi a primeira brasileira a entrar no top-10 do ranking da WTA, em junho de 2023, depois de alcançar a semifinal de Roland Garros, e soma quatro títulos de WTA: Nottingham e Birmingham (ambos em 2022), o WTA Elite Trophy (2023) e o WTA 500 de Seul (2024).
A pausa, de todo modo, não se explica só pelo ombro. A ausência no segundo semestre já estava nos planos, e, na coletiva de setembro, a tenista tratou o afastamento também como um período para cuidar da saúde mental. Não é a primeira vez. No fim de 2025, ela havia encerrado a temporada mais cedo pelo mesmo motivo.
Até oito torneios com ranking protegido
Na volta daquela parada, em janeiro, Bia entrou no WTA 500 de Adelaide com ranking protegido de número 30, amparada por uma regra mais recente da WTA para esse tipo de afastamento: são exigidas ao menos dez semanas seguidas de pausa, e o benefício vale para até três torneios de nível 125, 250 ou 500. Agora, o enquadramento é outro.
Ao completar mais de seis meses sem competir, Bia passa a ter o direito de requisitar o ranking protegido (o *special ranking*, na nomenclatura da WTA) para se inscrever nos torneios na volta. Podem recorrer a ele tenistas que param por lesão, tratamento de saúde ou maternidade, e a regra permite usar a posição de antes da parada para entrar em até oito torneios. Quanto mais longa a ausência, maior a cota: pelas regras da WTA, o número pode chegar a 10 ou 12 torneios.
Sem data para competir
Os quatro meses estimados valem para a volta aos treinos. Para as competições, Bia evitou cravar uma data ao anunciar a cirurgia, e as projeções da época já a deixavam fora das quadras pelo menos até fevereiro de 2027. Ela avisou também que só retorna quando estiver totalmente recuperada.
Até lá, a agenda se divide entre a reabilitação e a sala de aula. Formada em administração de empresas, a paulistana anunciou em setembro que faria um curso em Harvard, nos Estados Unidos, durante o afastamento. Torneio, por ora, nenhum.
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