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Buenos Aires e Santiago podem sumir do calendário da ATP. O Rio Open sabe disso e já tem um plano

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

A Arábia Saudita está financiando a compra das licenças de pelo menos dois torneios sul-americanos de fevereiro, o Argentina Open de Buenos Aires e o Abierto Mexicano de Acapulco, como parte de uma reorganização estrutural do calendário da ATP para acomodar o novo Masters 1000 saudita, previsto para estrear em 2028. A reportagem é do The Athletic, assinada por Matt Futterman e C.D. Eccleshare, com base em quatro fontes a par das negociações.


O braço esportivo do Fundo Soberano da Arábia Saudita, a SURJ, é quem banca as aquisições. A ATP já havia comprado, com recursos próprios, as licenças de quatro torneios menores: os ATP 250 de Chengdu e Hong Kong, o Moselle Open de Metz e o Kremlin Cup de Moscou, que não acontece desde 2022 por causa da invasão à Ucrânia. O próximo passo envolve dinheiro mais pesado e torneios mais cobiçados, daí a entrada do capital saudita.


Durante o Rio Open em fevereiro, fontes ouvidas nos bastidores do torneio disseram que foram feitas ofertas robustas pelos torneios de Buenos Aires e de Santiago, com valores na casa de seis vezes acima do preço de mercado. O número explica por que a SURJ é indispensável nessa equação: a ATP, sozinha, não teria músculo financeiro para uma operação dessas.


O Rio Open sobrevive. E negocia

Rio Open (Foto: Divulgação)
Rio Open (Foto: Divulgação)

O torneio carioca não está na lista de compras. É um 500, tem estrutura consolidada no Jockey Club e recebeu o presidente da ATP, Andrea Gaudenzi, pessoalmente durante a edição deste ano. Mas o xadrez saudita, que ameaça vizinhos diretos, funciona como alavanca de negociação para o Rio pedir o que sempre quis.


A mudança de piso, do saibro para a quadra dura, é o objetivo de longa data do diretor esportivo Lui Carvalho e está cada vez mais próxima de se concretizar. A troca de data ainda é incógnita: o torneio pode permanecer em fevereiro ou migrar para depois de Wimbledon, na preparação para o US Open, dependendo de como o novo calendário se redesenhar. O que se sabe é que o Rio não ficará parado enquanto o tabuleiro se move ao redor.


O plano de Gaudenzi e o One Vision

A reorganização em curso é a versão operacional do One Vision, projeto do presidente Andrea Gaudenzi que concentra o peso do circuito nos Masters 1000 e nos Grand Slams. Sete dos Masters 1000 serão obrigatórios e com duração de 12 dias. O novo torneio saudita, como Monte Carlo, será opcional. A ideia central é enxugar os 250s e 500s para valorizar o que sobra.


"Um objetivo fundamental desse processo é encurtar a temporada ao longo do tempo e ampliar o período de férias para os jogadores", disse uma fonte ao The Athletic.


A SURJ comunicou pela primeira vez, em carta enviada a todos os torneios de nível 250 e 500 no fim de 2025, sua intenção de recomprar licenças além das quatro já adquiridas. Alguns organizadores recusaram entrar em negociação. Basel rejeitou a oferta da ATP diretamente. Dubai e Doha, com posições financeiras sólidas, também resistiram. A ATP então passou a mirar torneios mais vulneráveis ou menos estrategicamente posicionados para liberar as janelas que precisa.


Os valores iniciais oferecidos pela ATP ficaram entre US$ 15 e US$ 20 milhões por licença de nível 250 e entre US$ 35 e US$ 45 milhões pelas de nível 500. Segundo o The Athletic, os preços finais devem superar significativamente essas estimativas, o que torna o financiamento saudita não apenas conveniente, mas necessário.


O que vem a seguir

O prazo real é 2028. Mas as peças já estão se movendo em 2026. O destino de Buenos Aires e Santiago, e indiretamente o formato futuro do Rio Open, vai depender do ritmo dessas negociações nas próximas semanas. Quando o calendário novo for apresentado, pouca coisa vai estar no mesmo lugar.

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