Ferrero fala pela primeira vez sobre ruptura com Alcaraz, nega peso financeiro e deixa portas abertas para o futuro
- Raphael Favilla

- 24 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Depois de semanas de especulações, versões conflitantes e bastidores revelados pela imprensa espanhola, Juan Carlos Ferrero finalmente se pronunciou de forma detalhada sobre o rompimento com Carlos Alcaraz. Em entrevista ao jornal Marca, o ex-treinador do atual número 1 do mundo afirmou que foi surpreendido com o desfecho da parceria, negou que o aspecto financeiro tenha sido decisivo e deixou claro que não vê o término como definitivo.
“Tudo parecia estar indo bem. É verdade que, ao final de um ano, certos aspectos dos contratos precisam ser revistos. E, como em qualquer novo contrato, pensando no ano seguinte, havia alguns pontos em que discordávamos. Como em todos os contratos, uma parte puxa para um lado e a outra para o outro. A equipe do Carlos pensa no que é melhor para ele e a minha no que é melhor para mim”, explicou Ferrero, ao abordar as divergências surgidas durante as negociações para a renovação.
Segundo o espanhol, havia espaço para diálogo, mas isso não aconteceu. “Talvez pudessem ter sido resolvidas se tivéssemos nos sentado para conversar, mas, no fim, não o fizemos e decidimos não continuar. Foi isso que realmente aconteceu. Há pontos sobre os quais não vou entrar em detalhes”, afirmou.
Dinheiro não foi o motivo
Um dos temas mais debatidos desde o anúncio da separação foi o fator econômico, frequentemente apontado como a principal causa do rompimento. Ferrero tratou de afastar essa versão. “Desde muito jovem mostrei que não era o mais importante para mim. Houve quem dissesse que eu pedi mais, e é verdade que eles sempre foram muito generosos, com uma porcentagem muito alta durante aqueles primeiros anos em que eu estava tão envolvido. E eu agradeço por isso. No fim, tentei deixar claro que a questão financeira não era um dos problemas, nem foi o motivo pelo qual eu estava neste projeto”, garantiu.
Relação segue intacta
Apesar do fim inesperado da parceria, Ferrero fez questão de ressaltar que a relação pessoal com Alcaraz permanece muito boa. “(A relação é) super boa, sempre foi muito boa. Tivemos uma relação muito próxima de treinador e jogador, e depois uma forte amizade. Acho que o ano foi muito bom em termos de resultados, e a nossa relação foi espetacular durante todo o ano. Não tivemos nenhuma discussão em nenhum momento”, analisou.
O treinador também destacou o papel de Samuel López na comissão técnica ao longo de 2025, apontando que sua presença ajudou a diluir responsabilidades e facilitar o dia a dia.
“Foi um ano muito bom, e quando terminou em Turim, é verdade que todos tínhamos a ideia de que iríamos continuar. Nós organizamos a pré-temporada com o Samuel, e eu passei a responsabilidade para ele. O Samu estava ciente de tudo, e eles não precisaram mudar nada porque estava tudo organizado”, comentou.
Impacto emocional e portas abertas
Ferrero admitiu que a ruptura foi emocionalmente pesada e comparou o momento a um período de luto. “Adaptar-se não é fácil. Para mim, obviamente, não é um momento nada agradável. No fim das contas, é uma relação de longa data, onde passamos por muita coisa juntos, e desenvolvemos um laço forte. Tínhamos essa conexão emocional durante os treinos e vivenciamos intensamente cada situação importante que surgiu com ele nos torneios. No fim, tudo virou de cabeça para baixo”, disse.
“Acho que talvez nós dois precisemos de um tempo para processar completamente esse término. Não é tão fácil. Agora, estou sofrendo. Esse tipo de relacionamento é difícil de terminar da noite para o dia. E precisa haver um período de luto”, acrescentou.
O treinador também descartou que a coexistência entre a academia de Alcaraz, em Múrcia, e a Equelite, em Villena, tenha sido determinante para o rompimento. “Gostaria de pensar que não. Obviamente, Carlos está apenas começando neste mundo, e eles querem construir uma academia forte, o que é compreensível. Nunca vimos isso como uma rivalidade”, afirmou, antes de deixar claro que um reencontro no futuro não está descartado. “Fechar as portas definitivamente não seria lógico, nem para ele, nem para a equipe. Desejo tudo de bom para o Carlos e acredito que ele tem potencial para ser o melhor tenista da história”.
Futuro indefinido e confiança em López
Questionado sobre a possibilidade de treinar Jannik Sinner, Ferrero foi cauteloso. “É algo que eu teria que pensar. São jogadores extraordinários, mas não é hora de pensar em algo assim e dizer sim ou não. Já recebi algumas propostas, mas não é o momento certo. Quero estar em paz e tenho sentimentos. É impossível para mim assumir outro relacionamento agora”.
Sobre Samuel López, que assume o posto de treinador principal de Alcaraz, Ferrero demonstrou total confiança. “Ele tem experiência e já treinou certos tipos de jogadores, o que o fortaleceu consideravelmente. O ano que ele passou conosco foi a melhor preparação que ele poderia ter tido para esta situação. Mas ele conhece o time em primeira mão, e isso facilita as coisas”, avaliou.
Ainda assim, reconhece que a mudança pode ter impacto inicial. “Obviamente, mudanças como essa são sempre complicadas porque são inesperadas. Do ponto de vista do tênis, acho que o Carlos é capaz de superar isso e ir para a Austrália em ótima forma, tentando deixar essa situação para trás. O Samuel o conhece muito bem e adquiriu muita experiência para poder gerenciar a equipe sozinho como treinador”.
Memórias de uma parceria marcante
Ao recordar os anos ao lado de Alcaraz, Ferrero destacou especialmente o período de formação do espanhol. “Um dos períodos que mais guardo com carinho é quando ele era mais jovem, dos 15 aos 18 anos. Foi uma época maravilhosa em que compartilhamos tantos momentos juntos: treinos, torneios, hotéis”, relembrou.
“Íamos sempre a todo o lado juntos. Esse crescimento, essas experiências, esses resultados — na sua maioria bons, embora sempre haja um ou outro inesperado — foi uma época verdadeiramente linda”, completou.
Encerrando, Ferrero exaltou a evolução do pupilo e a sintonia construída ao longo dos anos. “Tive a sorte de encontrar alguém que conseguiu aprender em um ritmo tão acelerado, em uma velocidade impressionante, tudo o que tentamos ensinar a ele. Quando cheguei, ele era um jogador com habilidades técnicas, físicas e mentais impressionantes, e juntos, como uma equipe, conseguimos ajudá-lo a melhorar. E ele nos deu absolutamente tudo o que precisamos”.
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