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Fonseca encara Tommy Paul neste domingo em busca de sua primeira oitava de Masters 1000

  • 8 de mar.
  • 4 min de leitura

João Fonseca joga neste domingo a terceira rodada do BNP Paribas Open de Indian Wells contra o norte-americano Tommy Paul, atual 24º do ranking, numa noite que o complexo californiano já reservou para seus maiores eventos. O jogo do brasileiro entra na sequência de Alexandra Eala contra Coco Gauff, o duelo mais aguardado da chave feminina. Dois jogadores que viraram fenômeno de público, cada um com sua legião, na mesma noite. Indian Wells fez bem ao escalar assim.


João Fonseca (ATP Tour)
João Fonseca (ATP Tour)

Fonseca chegou até aqui com uma das vitórias mais marcantes de sua jovem carreira. No sábado, contra Karen Khachanov, evitou dois match-points quando o russo sacava com 6-4 no tiebreak do segundo set e ainda construiu o terceiro com a frieza de quem domina o ritmo do jogo, não apenas a bola. É a terceira vez que o carioca alcança a terceira rodada de um Masters 1000, todas sobre piso duro norte-americano: Miami e Cincinnati no ano passado, Indian Wells agora.


"Foi um jogo muito importante, contra um jogador experiente, que tem muitos títulos e uma carreira brilhante", disse Fonseca após a vitória. "São esses jogos que fazem a gente crescer como jogador, são os que realmente importam."


O jogo de ontem


Técnica e taticamente, Fonseca não foi perfeito. Vacilou no fechamento do primeiro set e permitiu que Khachanov chegasse ao 6-4 com saque a favor. Mesmo assim, encontrou o caminho de volta. Soube trabalhar a bola, variou direções e efeitos e, ponto a ponto, fomentou a instabilidade que tomou conta do adversário. Suas defesas diante do ataque poderoso do russo foram um capítulo à parte: uma, duas, três bolas devolvidas até assumir o contragolpe. Isso é para poucos.


"Depois de um primeiro set em que ele me dominou, consegui reverter a situação. Estou feliz com a forma com que lutei, depois que tive a oportunidade de permanecer no jogo. Ele não fechou, me fez acreditar e eu fui lá e peguei", avaliou o número 35 do mundo.


O mérito de Fonseca talvez nem tenha sido tanto técnico ou tático, mas de força mental e leitura de jogo. Como não é fácil para ninguém fechar uma vitória apertada, Khachanov abriu uma fresta pequena e isso bastou para o brasileiro iniciar a reação. Quem acompanha sua trajetória nas últimas temporadas não deve ter se surpreendido.


Depois de um início de 2025 para esquecer, Fonseca se reencontrou em Indian Wells. Fez boa estreia contra o belga Raphael Collignon e se vingou de Khachanov, que havia se aproveitado de sua exaustão pós-Basileia em Paris.


A noite de Eala e o contexto do jogo


O duelo de Fonseca com Paul acontece depois de um dos jogos mais aguardados do torneio: Alexandra Eala, a filipina de 20 anos que se tornou a primeira jogadora de seu país a entrar no top 100, enfrenta Coco Gauff no Stadium 1 como a partida principal da noite.


O fenômeno de público que Eala representa em Indian Wells ficou evidente já na segunda rodada: centenas de torcedores filipinos formaram fila seis horas antes do início da partida no Stadium 3, alguns segurando bandeiras das Filipinas, e mesmo quando os atrasos empurraram o jogo para o frio da noite no deserto, boa parte deles permaneceu nas arquibancadas coberta de casacos e cobertores.


Alexandra Eala (Foto: BNP Paribas Open)
Alexandra Eala (Foto: BNP Paribas Open)

O torneio de Indian Wells não esconde que se beneficia desse fenômeno. O executivo Philippe Dore declarou que a organização "ama cada minuto" da presença de Eala, e os números dão razão a ele. Eala chegou a Indian Wells com ranking de número 31, a melhor marca de sua carreira, depois de atingir três quartas de final nos dois primeiros meses de 2026, igualando o total de toda a temporada anterior.


Fonseca entra nessa noite como o principal nome fora do setor americano das arquibancadas. O brasileiro também tem sua torcida no deserto californiano, e ele sabe disso.


Amigo, mas adversário


Tommy Paul não é o tipo de adversário que aparece numa chave e some. O americano fez a final em Delray Beach há poucos dias, superando Learner Tien e Taylor Fritz antes de perder para Sebastian Korda. Em Indian Wells, onde a quadra dura se apresenta um pouco mais veloz do que o habitual nesta temporada, ele se sente em casa.


O único duelo entre os dois foi no saibro de Madri, no ano passado, e terminou com vitória de Paul em dois tiebreaks. O placar esconde uma história mais complicada: Fonseca chegou a liderar por 5-2 no primeiro tiebreak e desperdiçou dois set-points; o mesmo roteiro se repetiu no segundo, com outros dois set-points perdidos no saque do americano. O tipo de detalhe que fica na memória dos dois.


Fonseca conhece bem o adversário, e foi direto: "Já joguei contra ele no saibro e treinei muitas vezes na quadra rápida. É um dos meus amigos no circuito, nos conhecemos muito bem. Vai ser duro, haverá torcida para ele, mas também há bastante brasileiro por aqui. Vamos com tudo, a confiança e a raça estão lá no alto."


A primeira presença em oitavas de um Masters 1000 está ao alcance. Com a confiança nas alturas, como ele mesmo disse, e contra um amigo que sabe exatamente o que está em jogo.

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