Fonseca não se recupera e encerra a temporada
João Fonseca não joga mais em 2026. O carioca de 20 anos anunciou neste sábado (17), em vídeo publicado no Instagram, que ainda não está recuperado do problema no abdômen e desistiu do ATP 500 da Basileia, onde defenderia o título dentro de duas semanas, e do Masters 1000 de Paris.

O pior dos cenários se confirmou. A Basileia guardava o maior troféu da carreira de Fonseca: o título de 2025, conquistado na final contra o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, foi o primeiro de nível ATP 500 do brasileiro. Paris, onde estreou no ano passado e chegou à segunda rodada, seria a última chance de pontuar antes de 2027. Ficam as duas no caminho, e com elas uma conta pesada no ranking.
“Oi, pessoal. Queria passar aqui para atualizar vocês sobre o restante da temporada. Como muitos acompanharam, optei por não disputar a gira asiática para focar 100% na minha recuperação. O objetivo era voltar a tempo de defender o título na Basileia e encerrar o ano no Masters 1000 de Paris”, afirmou Fonseca, no comunicado.
“No entanto, em conjunto com a minha equipe, entendi que ainda não estou em condições ideais para competir no nível que gostaria e que não precisamos apressar a minha volta. Assim, decidimos priorizar a recuperação e focar no planejamento para 2027”.
De Cincinnati à Copa Davis
A lesão apareceu em agosto, no Masters 1000 de Cincinnati. Fonseca sentiu o abdômen na vitória sobre o australiano Christopher O’Connell e não entrou em quadra para a terceira rodada, que seria sua segunda partida no torneio, segundo a ATP. Dias depois, ficou fora do US Open.
A volta veio em casa. Na Copa Davis, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, Fonseca abriu o confronto contra a Suíça com vitória de virada sobre Dominic Stricker, 262º do mundo, por 4/6, 6/3 e 6/2. O Brasil fechou a série em 3 a 1 e garantiu vaga nos Qualifiers de 2027. O brasileiro, porém, admitiu ter entrado em quadra com grande esforço. Foi a única partida que disputou no fim de semana e a última oficial do ano.
Logo depois, comunicou que não iria ao ATP 500 de Tóquio nem ao Masters 1000 de Xangai. A ideia era chegar inteiro à Basileia e fechar a temporada em Paris. O plano tinha data marcada. O corpo não assinou.
O ano termina com 20 vitórias e 13 derrotas, segundo o índice de vitórias da ATP, e sem nenhuma semifinal no circuito. Houve momentos de alto nível, como as quartas de final em Roland Garros, com vitórias sobre Novak Djokovic e Casper Ruud, as quartas em Monte Carlo e as oitavas em Indian Wells. Mas o calendário foi sendo recortado por problemas na lombar, no punho direito, no ombro e, por fim, no abdômen.
A conta no ranking
Atual número 29 do mundo (seu melhor ranking é o 24º lugar, com que fechou 2025), Fonseca deixará de defender 550 pontos: 500 da Basileia e 50 de Paris. O primeiro desconto chega já na virada para a última semana de outubro, quando o título suíço sai da conta.
Na Corrida, que considera apenas os pontos somados desde janeiro, o brasileiro ocupa o 39º lugar. Como não vai somar mais nada até novembro, a tendência é ser ultrapassado por concorrentes diretos e aparecer fora do top 40 ao fim da Basileia. O site Brasil Tênis projeta uma queda de 10 a 15 posições.
A consequência mais imediata está em Melbourne. Fora do top 40, Fonseca não terá condição de cabeça de chave no Australian Open, disputado já na terceira semana do calendário, e pode cruzar com um dos favoritos logo na estreia.
O risco se estende ao Jockey Club. Em análise publicada no X, Pedro Melo apontou que Fonseca pode não ser cabeça de chave nem no Rio Open, algo que vai depender dos resultados dele e dos adversários no início de 2027. Há, no entanto, um alívio escondido no próprio início de temporada ruim: o brasileiro tem apenas 85 pontos a defender de janeiro até o torneio carioca. Em 2026, caiu na estreia do Australian Open, diante do americano Eliot Spizzirri, e em Buenos Aires, contra o chileno Alejandro Tabilo, antes de vencer seu primeiro jogo do ano no Rio. O que pesou contra ele em fevereiro agora joga a favor: qualquer boa campanha no começo de 2027 vira ponto novo.
O que resta no calendário
Fora do circuito oficial, ainda há a exibição contra Carlos Alcaraz, marcada para 12 de dezembro, no Allianz Parque, em São Paulo. Não se sabe se Fonseca confirmará presença. Até a tarde deste sábado, veículos como o 365Scores informavam que o evento seguia mantido.
A próxima data já confirmada em 2027 é o Rio Open, de 13 a 21 de fevereiro, que Fonseca disputará pela quinta vez seguida. Em 2026, ele parou na segunda rodada de simples, diante do peruano Ignacio Buse, mas saiu do Jockey com o título de duplas ao lado de Marcelo Melo. “Estou muito feliz em já confirmar que vou jogar o Rio Open no ano que vem”, disse ele no fim de setembro, quando teve a participação anunciada pelo torneio.
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