João Lucas Reis bate Thiago Wild e conquista o maior título da carreira
O pernambucano João Lucas Reis venceu o paranaense Thiago Wild por 7/6(2), 1/6 e 6/2 neste domingo, na final 100% brasileira do challenger 75 de Antofagasta, no Chile, e conquistou o título mais importante da carreira depois de 2h03 de uma partida cheia de altos e baixos.

Os 75 pontos do saibro chileno devolvem Reis, de 26 anos, ao top 200 já na próxima atualização. Pela projeção provisória, ele sobe para o 184º lugar, três posições acima do 187º que era o melhor ranking de sua carreira, alcançado em novembro do ano passado. Wild também sai do Chile com saldo positivo: o vice vale, por enquanto, 14 posições e leva o paranaense ao 122º posto.
A semana começou com nove brasileiros na chave principal. No domingo, sobraram dois, e a divisão do prêmio ficou em família: US$ 17.000 para o campeão, US$ 9.600 para o vice.
O primeiro set foi o único realmente equilibrado, disputado game a game. Reis saiu na frente com uma quebra no nono game e foi sacar para fechar em 5/4. Wild devolveu o break na hora. No tiebreak, o pernambucano foi impecável com o saque e cedeu apenas dois pontos.
Wild não acusou o golpe. Quebrou Reis logo de saída na segunda parcial, escapou de um 0-40 no game seguinte para abrir 2/0, ampliou a vantagem no quinto game e voltou a bater o saque do rival para fechar em 6/1. Jogo empatado, e com o paranaense em clara ascensão.
A ascensão durou um set. No terceiro, Wild perdeu o ritmo e passou a errar mais, enquanto Reis jogou de forma agressiva e foi recompensado. Quebrou no primeiro game, repetiu a dose no quinto e encerrou a final no oitavo, com um winner de forehand.
Oito anos depois de Curitiba
Reis e Wild nasceram com 16 dias de diferença, em março de 2000, e cresceram cruzando caminhos no circuito nacional. A primeira final entre os dois foi em maio de 2018, no Future de Curitiba: naquela ocasião, Reis perdeu o primeiro set no tiebreak e virou com 6/3 e 6/2, conforme o registro da ITF. Em 2023, no challenger de Buenos Aires, foi a vez de Wild vencer em três sets, a caminho do título.
Neste domingo, o roteiro de Curitiba veio invertido. Reis ganhou o set inicial e, ainda assim, precisou do terceiro.
A taça em Antofagasta é a primeira da temporada e a maior da carreira do pernambucano, que até aqui tinha como principal conquista o challenger 50 de Santa Fé, na Argentina, no ano passado, seu primeiro título neste nível (6/4 e 6/3 sobre o argentino Lautaro Midón na final). Completam a galeria quatro títulos menores no circuito ITF. Das seis taças, quatro vieram no saibro e duas na quadra dura, ambas em torneios M15 de Cancún, no México, em 2019 e 2020.
O título também encerra uma sequência incômoda de 2026. Em abril, Reis ficou com o vice no challenger de Tallahassee, nos Estados Unidos, ao abandonar a final contra o francês Clément Tabur. Em setembro, voltou a perder uma decisão, no challenger 100 de Tulln, na Áustria, para o suíço Mika Brunold. Na terceira final da temporada, deu certo.
Antofagasta, aliás, já tinha sido boa para ele: no ano passado, Reis chegou à semifinal e caiu em três sets diante do argentino Facundo Díaz Acosta. O ano de 2026 também marcou sua estreia em chave principal de nível ATP, como convidado do Rio Open, em fevereiro. Ele se tornou ali o primeiro tenista abertamente gay a disputar uma chave principal do circuito masculino.
Do outro lado da rede, Wild chegou ao Chile como 136º do mundo e cabeça de chave 4. O ex-top 60, que alcançou o 58º lugar em maio de 2024, vive uma temporada de retomada, com títulos nos challengers de Piracicaba, Zug e Gênova.
Próximos compromissos
Reis não competirá na próxima semana. Wild segue direto para o challenger de Santa Cruz, onde é o cabeça de chave 3 e estreia contra um tenista vindo do quali.
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Grande campanha dos brasileiros! E que bela temporada de ambos em 2026! Reis surpreendendo Wild nessa final!