Stefani e Dabrowski conquistam Pequim, quinto título do ano
A paulista Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski conquistaram neste domingo o título de duplas do WTA 1000 de Pequim. Na final, venceram a tcheca Katerina Siniakova e a chinesa Shuai Zhang por 6/1 e 6/2, em cerca de uma hora de jogo.
O confronto reunia as duas principais candidatas ao troféu, e só uma delas apareceu na quadra. Siniakova e Zhang eram as cabeças de chave número 1, e Stefani e Dabrowski, as número 2. É o quinto título da parceria em 2026, e já faz desta a temporada mais vitoriosa da carreira da brasileira. Luísa fez a 29ª final de WTA da carreira, com 18 títulos e 11 vices. Seguirá em terceiro no ranking de duplas, mas tirou 750 pontos da diferença para a vice-líder, a norte-americana Taylor Townsend. Dabrowski sobe uma posição e passa a ser a número 4 do mundo.

“É sempre um prazer e uma honra jogar com Shuai Zhang e Katerina Siniakova, são grandes jogadoras. Foi mais uma grande semana, grande temporada, sempre um desafio ir bem e fazer melhor. Eu e a Gabi tivemos que colocar um grande nível para essa final para conquistar esse título”, disse Stefani.
“Muito especial dividir essa semana com a Gabi. Sempre especial estar aqui em Pequim, finalizamos forte. Me sinto uma sortuda por levantar esse troféu e jogando um grande tênis e jogando com uma grande parceira. Muito orgulhosa do nosso progresso esse ano, nos sentimos incríveis e isso reflete no resultado de hoje”, destacou Dabrowski.
Como a final foi decidida
A largada definiu o tom. Stefani e Dabrowski perderam apenas um ponto nos dois primeiros games, quebraram o saque adversário no segundo e abriram 3/0. Para isso, salvaram dois break-points, o único momento em que Siniakova e Zhang ameaçaram de verdade no set. Uma nova quebra no sexto game encaminhou a parcial, fechada em 6/1.
O segundo set começou ainda melhor. Foram quatro games seguidos, com duas quebras consecutivas. Siniakova e Zhang recuperaram um dos breaks, e a reação durou exatamente um game: a brasileira e a canadense devolveram a quebra na sequência e abriram 5/2 com o saque na mão. No último game, não cederam um ponto sequer e fecharam no primeiro match-point.
Os números de duração divergem conforme a fonte (61 ou 59 minutos), mas o recado é o mesmo. As cabeças 1 do torneio deixaram Pequim com um game a mais do que o par de mãos que usaram para contar os que venceram.
O caminho até o título
A campanha começou contra as chinesas Qianhui Tang e Yifan Xu, batidas por duplo 6/4. Nas oitavas de final, vitória sobre a norte-americana Quinn Gleason e a norueguesa Ulrikke Eikeri por 6/3 e 6/4. Nas quartas veio o teste mais duro: 7/5 e 7/6(6) sobre as italianas Sara Errani e Jasmine Paolini, campeãs olímpicas em Paris-2024. Após aquela partida, Luísa descreveu o duelo como “uma espécie de gato e rato, jogo de xadrez”. Na semifinal, passaram pela belga Elise Mertens e pela russa Diana Shnaider, cabeças 6.
Em 2023, ao lado da também brasileira Ingrid Martins, Luísa havia parado na semifinal em Pequim, conforme registrou o Diário do Grande ABC.
A premiação também conta a história da final. Luísa e Gaby dividem US$ 468.200. Siniakova e Zhang levam US$ 247.870.
A temporada mais vitoriosa da carreira
Antes de Pequim, a parceria já havia vencido o WTA 1000 de Dubai, nos Emirados Árabes, o WTA 500 de Estrasburgo, na França, e dois WTA 250: Eastbourne, na Inglaterra, e o SP Open. O recorde anterior de Luísa era de 2025, quando somou quatro troféus, todos com a húngara Timea Babos.
Nos Grand Slams, a dupla chegou ao menos à semifinal nos quatro de 2026. A melhor campanha foi em Wimbledon, onde perdeu a final para a chinesa Hanyu Guo e a francesa Kristina Mladenovic por 6/3 e 7/5. Ali Luísa se tornou a primeira brasileira em uma final de duplas femininas em Wimbledon desde Maria Esther Bueno, em 1967. Australian Open, Roland Garros e US Open renderam semifinais, assim como Doha e o Miami Open.
Em Paris, quem barrou o caminho foi justamente Siniakova, ao lado de Townsend. A tcheca e a norte-americana derrotaram Stefani e Dabrowski duas vezes nesta temporada. Neste domingo, a conta da tcheca com a dupla ficou um pouco menos desequilibrada.
Cinco WTA 1000 e sete títulos com Dabrowski
O troféu em Pequim é o 18º da carreira de Luísa e o quinto de nível WTA 1000. Os outros vieram em Montreal, no Canadá, em 2021, com a própria Dabrowski; em Guadalajara, no México, em 2022, com a australiana Storm Hunter; em Doha, no Catar, em 2024, com a holandesa Demi Schuurs; e em Dubai, neste ano.
Com Dabrowski, são sete títulos. Além dos cinco desta temporada e de Montreal, as duas venceram o WTA 250 de Chennai, na Índia, em 2022.
Há uma ironia no domingo. Zhang foi parceira de Luísa no título do WTA 500 de Abu Dhabi, em 2023, e Townsend, a vice-líder que a brasileira persegue no ranking, dividiu com ela o troféu de Adelaide naquele mesmo ano, segundo a Gazeta Esportiva. Luísa venceu uma ex-parceira na final e encurtou a distância para outra.
De Pequim a Wuhan, com o WTA Finals no horizonte
Segundas colocadas na corrida da temporada, Stefani e Dabrowski já estão garantidas no WTA Finals, que reúne as oito melhores duplas do ano. Será a primeira participação das duas juntas no torneio, em Indian Wells. Luísa foi vice em 2025, com Babos. Dabrowski foi campeã em 2024.
Antes disso, não há descanso. A dupla segue direto para o WTA 1000 de Wuhan, também na China, que começa nesta segunda-feira. É o último torneio da categoria na temporada, e Siniakova defende ali o título conquistado em 2025 com Storm Hunter.
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