Motivação e treinamento
- Da redação

- 23 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
Com linguagem direta e prática, este artigo aborda um dilema comum ao tenista recreativo: o amor pelo jogo que nem sempre encontra correspondência na preparação física. O texto desmonta a ideia de que treinar fora da quadra é um fardo, mostrando que é justamente esse trabalho invisível que preserva o prazer, o desempenho e a longevidade do atleta amador.
Assinado por Eduardo Faria, preparador físico da Copa Davis há 15 anos e profissional que já trabalhou com nomes como Fernando Meligeni, Flávio Saretta, Alexandre Simoni, Gustavo Kuerten, Bruno Soares, Marcelo Melo, Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro, Thiago Wild e muitos outros, o artigo também reflete sua experiência em elevar a qualidade de vida de diferentes perfis — de sedentários a atletas de alto rendimento em modalidades como tênis, surfe e golfe. Eduardo presta serviços para a Confederação Brasileira de Tênis e dirige programas especializados que conectam ciência, performance e bem-estar.
Fundamentado em princípios técnicos, motivacionais e práticos, o texto mostra como transformar o treino em parte do próprio jogo: com rotinas curtas, trabalho individualizado e pequenas vitórias que constroem consistência. A seguir, o leitor encontra caminhos claros para jogar com mais energia, menos dor e muito mais prazer. Por muitos anos.

Você tenista amador- prepare o corpo e liberte o jogo!
Para muitos tenistas amadores, o ritual é sagrado: raquete na mão, bolinhas novas e aquela sensação de prazer imediato ao entrar em quadra. O tênis é vício, terapia e diversão ao mesmo tempo.Mas há um ponto em que essa paixão encontra resistência: a falta de motivação em se preparar fisicamente fora da quadra, para melhorar o jogo de tênis.
O tenista gosta mesmo é de jogar — sentir a bola, competir, superar-se a cada ponto. É natural que muitos relutem em dedicar tempo à preparação física. Mas a verdade é simples: é preciso preparar o corpo para desfrutar do jogo.
Você até pode jogar sem se preparar — é um direito seu. Mas, em algum momento, o jogo vai deixar de fluir. Surgem as dores, o cansaço precoce, e o prazer dá lugar à frustração.
Sem força, resistência e flexibilidade, você não aproveita plenamente aquilo que ama, não alcança o seu melhor desempenho — e ainda aumenta o risco de lesões.
“Jogo tênis todos os dias, é a minha paixão, mas é difícil me animar para treinar fora da quadra.”Essa frase ecoa em clubes e academias por todo o país. É o dilema de quem ama o jogo, mas evita o que o sustenta.
O paradoxo é claro: quanto mais você quer jogar, mais precisa cuidar do corpo que joga.A preparação física não é um fardo — é o que te permite continuar em quadra, com energia, confiança e prazer, por muito mais tempo.
O treino fora da quadra é o que sustenta o desempenho dentro dela.Um corpo preparado é a base invisível de toda performance, o que previne lesões e prolonga o prazer de jogar.O tênis exige muito do corpo, o amador que joga com frequência sabe bem que o ombro pode arder após o saque, o joelho reclama nas mudanças de direção, a lombar tensiona nos ralis longos.
Estudos apontam que mais de 70% das lesões em jogadores recreativos vêm da falta de fortalecimento e do desequilíbrio muscular. O corpo até aguenta o esforço, mas não está preparado para repetições intensas e assimétricas.”
Em resumo, o prazer do jogo mascara uma conta que o corpo acaba pagando,mais cedo ou mais tarde.
A preparação física é parte do jogo — não castigo
Faz parte da cultura popular, associar a atividade física com o sofrimento.Muitos tenistas amadores ainda enxergam a preparação física como obrigação, e não como parte do esporte, mas ela é o próprio alicerce do tênis.Sem pernas fortes, o saque perde potência. Sem estabilidade no core, o golpe sai instável. Sem resistência, o foco se dissolve no terceiro set.
Entre os profissionais, o exemplo é claro: Nadal destacou-se pela força física e pela habilidade de se adaptar a qualquer adversidade; Djokovic, pelo refinamento das capacidades físicas em perfeita harmonia com seu talento extraordinário.Para o amador, o princípio é o mesmo: quanto mais se joga, mais necessário é o treino fora da quadra.
Por que a motivação falta?
A resposta está no cérebro.O jogo oferece recompensa imediata — ponto ganho, aplauso, satisfação.Já o treino físico é um investimento de longo prazo, sem retorno instantâneo.
“O jogador amador vive do prazer do agora: a bola bem batida, o ponto ganho, o rali inesquecível. Já a preparação física é silenciosa, sem aplausos. Ela só faz sentido quando o jogador percebe que aquele esforço fora da quadra é o que permite que o prazer do jogo continue existindo.”
Transformar treino em jogo
A chave está em trazer o tênis para dentro do treino.Quando o tenista ainda não tem familiaridade com a preparação física, o ideal é começar por um trabalho geral, voltado ao desenvolvimento da força, da resistência e da flexibilidade. À medida que o condicionamento melhora, entram em cena os treinos mais específicos — deslocamentos laterais, a melhora das acelerações em curtos espaços, potência, estabilidade e tempo de reação — que garantem a transferência direta dos ganhos físicos para a performance dentro da quadra.
Para que essa evolução seja realmente eficaz, é fundamental compreender como o corpo responde aos estímulos. O treinamento deve ser individualizado, respeitando as características de cada jogador. Quando o programa é feito sob medida, os resultados aparecem mais rápido — e isso motiva ainda mais a treinar para jogar um tênis mais prazeroso e seguro.
Nós da 5º SET, trabalhamos com o Programa TFI – Treinamento Físico Inteligente, que tem o mapeamento genético como principal diferencial. A partir da análise das potencialidades individuais, é possível programar o treino ideal para cada jogador, seja ele, juvenil, amador ou profissional, maximizando o desempenho e prevenindo lesões.
Dicas de ações Motivacionais e Práticas para o Tenista Amador
Objetivo | O que fazer na prática | Por que funciona |
1. Mudar o significado do treino | Encare o treino como parte do jogo, não como castigo. Diga a si mesmo: “Estou cuidando do meu jogo.” | Reduz a resistência mental e associa o treino à paixão pelo tênis. |
2. Começar pequeno e constante | Faça 2 sessões semanais de 30 a 60 minutos. Priorize consistência, não intensidade. | A constância cria hábito e elimina o peso da obrigação. |
3. Buscar prazer imediato | Coloque músicas que você goste, treine com amigos ou finalize com algo prazeroso. | O cérebro associa o treino a sensações positivas, facilitando a adesão. |
4. Dar propósito ao treino | Pergunte-se: “Quero jogar sem dor? Quero durar mais tempo em quadra?” | Conectar o esforço ao prazer futuro dá sentido e energia à prática. |
5. Transformar treino em jogo | Crie desafios: conte repetições, bata tempos, acompanhe sua evolução. | O treino vira competição saudável — e o tenista ama competir. |
6. Personalizar o treino | Adapte os exercícios à sua idade, corpo e rotina. Busque um programa individualizado, o mapeamento genético é um ótimo caminho para uma direção mais assertiva. | O treino sob medida mostra resultados mais rápidos e mantém a motivação. |
7. Celebrar pequenas vitórias | Registre melhorias: menos dor, mais energia, saque mais firme. | Reforça o progresso e cria satisfação imediata. |
❤️ 8. Lembrar o porquê de tudo | Repita a frase: “Treino para poder continuar jogando o que amo.” | Reafirma o propósito emocional, que é a base da motivação duradoura. |
“O treino fora da quadra é o combustível invisível da paixão dentro dela.Quanto melhor você cuida do seu corpo, mais tempo o seu amor pelo tênis vai durar.”
Bons treinos!
Artigo assinado por Eduardo Faria
Introdução - Raphael Joppert
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Excelente texto.