Nauhany Silva encerra jejum de 35 anos e é campeã do Banana Bowl em final toda brasileira
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Nauhany Silva derrotou Victória Barros por 6/3, 4/6 e 6/3 na manhã deste domingo e conquistou o título do Banana Bowl, ITF J500 disputado no Bella Vista Country Club, em Gaspar, Santa Catarina. A paulista de 16 anos é a primeira brasileira a vencer o torneio desde Roberta Burzagli, em 1991.
A sequência que Naná acumula nas últimas semanas diz tudo sobre o momento dela no circuito juvenil mundial. São agora 21 vitórias consecutivas, três títulos na temporada e sete na carreira, tudo aos 16 anos. Na semana anterior, em Porto Alegre, ela já havia quebrado outra escrita: foi a primeira campeã brasileira da Brasil Juniors Cup desde a gaúcha Miriam D'Agostini, em 1996. O Banana Bowl, porém, tem outro peso. É um J500, o nível mais alto do circuito fora dos Grand Slams, e um dos torneios mais tradicionais do mundo, fundado em 1969.
A final também foi histórica por outro ângulo. A última vez que duas brasileiras disputaram o título em Gaspar foi em 1986, quando Gisele Miró venceu Gisele Faria. Quarenta anos depois, Naná e Victória repetiram o feito e entregaram ao público catarinense uma decisão que o tênis brasileiro demorou quatro décadas para ter de volta. A última finalista brasileira antes desta edição havia sido Roxane Vaisemberg, em 2006.
Os números que chegam junto com o troféu
A vitória vai reconfigurar o ranking mundial juvenil. Naná chega ao torneio na 19ª posição e deve ultrapassar Victória, atual 12ª colocada. A campeã recebe 500 pontos e a finalista, 350. No sistema da ITF, são considerados os seis melhores resultados em simples mais 25% da soma dos seis melhores resultados em duplas.
Para Victória Barros, o vice-campeonato é um resultado expressivo, especialmente pelo contexto. A jogadora potiguar, de 16 anos, estava disputando apenas seu terceiro torneio da temporada, em recuperação de uma lesão na panturrilha sofrida ainda no Australian Open Juvenil de janeiro, quando precisou se retirar logo na segunda rodada. Ela treina na França, na academia de Patrick Mouratoglou, e chegou a Gaspar sem ritmo de competição acumulado.
Como foi a final
O primeiro set indicou o que Naná queria impor. Victória abriu 2/0 com a primeira quebra do jogo, mas cedeu cinco games seguidos à adversária, que aproveitou cada bola mais curta para encerrar os pontos com agressividade. A parcial fechou 6/3 para a paulista.

No segundo set, Victória ajustou o plano: variou mais a altura e o peso de bola, foi com frequência à rede e tirou o ritmo do jogo. A estratégia funcionou. A potiguar abriu 5/1, foi quebrada quando sacava para fechar, mas segurou a vantagem até o 6/4. Set empatado.
O terceiro devolveu o controle a Naná. Duas quebras depois, a paulista converteu o jogo à sua maneira e fechou em 6/3 para confirmar o título.
Jogo quente
O jogo teve um calor que foi além da disputa técnica. Ao longo de toda a partida, as duas celebraram tanto seus acertos quanto os erros da adversária. No fim do segundo set, após fechar em 6/4, Victória vibrou com força olhando diretamente para Naná. A paulista foi até a árbitra no intervalo e, de acordo com a captação de áudio, disse que iria fazer "bem pior". A juíza entrou em ação e repreendeu Barros. A potiguar já havia sido advertida pela árbitra ao término do primeiro set, após reclamação de Nauhany.
O terceiro set seguiu com o mesmo clima e terminou da mesma forma. Após o match-point, Barros isolou a raquete na quadra. O cumprimento na rede foi rápido e sem calor, e a potiguar se recusou a apertar a mão da juíza. Na cerimônia de premiação, as duas recuperaram o tom: Barros agradeceu sua equipe e parabenizou Naná pela conquista; Nauhany retribuiu, elogiando a campanha da amiga.
A semana de Naná em Gaspar
No sábado, Naná ainda havia disputado a final de duplas ao lado da argentina Sol Larraya, com quem já havia conquistado títulos ao longo da temporada. A parceria não saiu vitoriosa desta vez: a romena Maia Burcescu e a jamaicana Alyssa James venceram por 6/4 e 6/0 e ficaram com o troféu. Vice em duplas, campeã em simples. A semana mais importante do juvenil brasileiro em décadas terminou em grande estilo de qualquer forma.
Bianca Bronholo conquista título inédito dos 16 anos do Banana Bowl
Enquanto a categoria principal era decidida em Gaspar, o Banana Bowl também encerrou neste sábado as disputas das categorias 14 e 16 anos, válidas para o ranking sul-americano da COSAT, nas quadras do Clube Monte Líbano, em São José do Rio Preto (SP).
No feminino 16 anos, a paranaense Bianca Bronholo conquistou seu primeiro título no torneio ao superar a baiana Gabriela Bettoni em virada: 6/7, 6/1 e 6/2. "Depois de um primeiro set muito equilibrado, consegui me impor e sair com a vitória", disse Bianca. No masculino da categoria, o chileno Max Becerra venceu o paranaense Augusto Scheidt, cabeça de chave 1, por duplo 6/3.
Nos 14 anos, o argentino Manuel Paniagua bateu o gaúcho Vitor Moraes por 6/1 e 6/1, e a peruana Nicole Miranda Rios superou a boliviana Ines Bustillos por 6/1 e 6/3. “Encerramos as categorias COSAT do Banana Bowl com presença brasileira nas finais dos 14 e 16 anos. Tudo correu muito bem ao longo da semana, com uma organização tranquila e sem intercorrências. Agora finalizamos o evento com as categorias 12 anos e Tennis Kids”, afirmou Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis.
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