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Se Fonseca bater Alcaraz, será o terceiro brasileiro a vencer um número 1. Relembre os outros dois

  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

João Fonseca tem uma chance histórica nesta sexta-feira. O carioca de 19 anos enfrenta Carlos Alcaraz na segunda rodada do Masters 1000 de Miami com um objetivo que, em mais de meio século de circuito profissional, apenas dois brasileiros conseguiram: vencer o número 1 do mundo.


Fonseca e Alcaraz
Foto: Juarez Santos

O apetite está declarado. "Sou um jogador de top 40 enfrentando o número 1. Ele é o claro favorito e sou o azarão. Mas preciso acreditar que posso vencer. É essa a mentalidade que preciso levar para a quadra. Do contrário, não terei nenhuma chance", disse Fonseca ao portal Clay Tennis antes do jogo.


Fonseca tentará fazer o que apenas Gustavo Kuerten e Flávio Saretta conseguiram na história do tênis nacional. Guga foi o primeiro e também o mais produtivo: três vitórias contra líderes do ranking. A inaugural veio em 1999, nas oitavas do Masters de Roma, quando o catarinense superou o russo Yevgeny Kafelnikov, então número 1 do mundo. Depois naquele torneio, bateu o eslovaco Karol Kucera (3-6, 6-4, 7-5), o espanhol Alex Corretja (6-4, 6-2), e na grande decisão o australiano Patrick Rafter (6-4, 7-5, 7-6(6).


Guga, campeão do Masters 1000 de Roma em 1999 (Foto Arquivo/ O Globo)
Guga, campeão do Masters 1000 de Roma em 1999 (Foto Arquivo/ O Globo)

Em dezembro de 2000, na Masters Cup de Lisboa, derrubou Pete Sampras na semifinal por 6/7, 6/3 e 6/4, abrindo caminho para a final histórica contra Agassi. Anos depois, já com o quadril castigado e longe do auge, Guga ainda encontrou energia para derrubar Roger Federer na terceira rodada de Roland Garros em 2004, numa vitória que até hoje é a mais recente de um brasileiro sobre o número 1.


Saretta e a ironia do destino

O segundo brasileiro a alcançar o feito tem o enredo mais improvável da lista. Em 2001, o paulista Flávio Saretta era apenas o 114º colocado do ranking quando entrou em quadra na primeira rodada do Brasil Open para enfrentar o número 1 do mundo. O detalhe: o número 1 era o próprio Guga. Tricampeão de Roland Garros naquele mesmo ano e no auge do seu prestígio, Kuerten levou um susto em casa. Saretta venceu. Tornou-se, assim, o único brasileiro da história a derrotar um compatriota que era, ao mesmo tempo, o líder da ATP. Foi a única vez que Saretta enfrentou um número 1 na carreira, e a única das suas oito partidas contra jogadores do top 5 que não terminou em derrota.



Confira mais sobre a improvável vitória de Saretta na matéria "O 11 de setembro e o chefão que queria matar o moleque que venceu o número 1 Guga Kuerten".


Bellucci: cinco chances, zero vitórias

Depois de Saretta, o Brasil parou de vencer. Thomaz Bellucci foi o último brasileiro a encarar o número 1 com regularidade: perdeu uma vez para Roger Federer nessa condição e quatro vezes para Novak Djokovic, somando zero em cinco oportunidades. O último desses duelos foi em Roma, em 2016, e ficou na memória pela crueldade do enredo: Bellucci ganhou o primeiro set por 6 a 0, entrou em clima de zebra histórica, e então viu Djokovic virar a partida. Desde aquele dia, nenhum brasileiro havia cruzado o caminho do número 1 em jogo oficial. Fonseca quebra esse jejum de quase uma década nesta sexta.


O momento de Fonseca

O caminho até aqui foi promissor. Em Indian Wells, o atual 39º do mundo eliminou Raphael Collignon, Karen Khachanov e Tommy Paul antes de parar em Jannik Sinner, número 2 e campeão do torneio, em duelo de dois tiebreaks nas oitavas. Em Miami, abriu o torneio superando o húngaro Fábián Marozsán por 6/4, 3/6 e 6/2 em quase duas horas, com 12 aces e 75% de aproveitamento no primeiro serviço. "A torcida me ajudou muito a manter o foco ao longo de toda a partida", declarou à ATP Tour após o jogo.


Alcaraz, do outro lado da quadra, chega como o homem a ser batido: 16 vitórias em 17 partidas na temporada, título do Australian Open 2026 e sete Grand Slams no currículo. A única derrota do ano foi na última semana, numa semifinal cedida a Daniil Medvedev em Indian Wells. Os dois já se cruzaram antes, numa exibição em Miami em dezembro passado, quando o espanhol levou a melhor no match tiebreak. O circuito oficial é outra história.


Há ainda um episódio que circulou pelos bastidores do Hard Rock Stadium nesta semana. Pouco antes de Fonseca entrar em quadra contra Marozsán, Alcaraz apareceu no vestiário vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol. O carioca não deixou passar. "Perguntei para ele: 'Espera, que camisa é essa?' Foi engraçado. Ele é uma boa pessoa", contou ao portal Clay Tennis, entre risos.


A bola sobe às 20h (horário de Brasília), na quadra central do Hard Rock Stadium. O vencedor enfrenta na terceira rodada Sebastián Korda ou Camilo Ugo Carabelli. Se Fonseca ganhar, entra para a lista. Se perder, ela segue com dois nomes. E Saretta ainda pode contar que bateu o próprio Guga.

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