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Sinner cai de joelhos, Alcaraz reaparece e o US Open muda de cara

  • há 4 horas
  • 9 min de leitura

O US Open perde o atual número 1 do mundo, o italiano Jannik Sinner, fora da edição de 2026 por uma lesão no joelho direito, e ganha de volta, na mesma semana, o espanhol Carlos Alcaraz, que confirmou o retorno ao circuito após quatro meses parado. As duas notícias, divulgadas em sequência, reorganizam por completo o quadro de favoritos do último Grand Slam da temporada, que começa no dia 30 de agosto em Nova York.


Jannik Sinner (Foto: Loic Wacziak / FFT)
Jannik Sinner (Foto: Loic Wacziak / FFT)

Sinner foi vice-campeão na última edição, batido por Alcaraz na decisão. A ausência do italiano libera o topo do ranking para uma disputa mais aberta do que parecia possível há poucas semanas, favorece diretamente o alemão Alexander Zverev na corrida pelo posto de número 1 inédito e devolve ao torneio o nome que o próprio circuito temia perder de vez: o do bicampeão, ainda sem ritmo de jogo desde abril.


O comunicado de Sinner

A desistência foi confirmada nesta sexta-feira, mas o desfecho já se desenhava havia semanas. Tudo começou com uma avaliação médica no início de agosto, tratada a princípio como exame de rotina, até a imprensa italiana revelar que Sinner sentia desconforto no joelho direito. A situação se agravou: o tenista adiou a viagem aos Estados Unidos e, um dia depois, anunciou a desistência do Masters 1000 de Cincinnati.


"Após consultar meus médicos e minha equipe, preciso anunciar que fui obrigado a desistir do Masters 1000 de Cincinnati. Meu joelho direito está me incomodando e, apesar do trabalho árduo que fizemos com minha equipe médica, preciso admitir que ainda não estou pronto para competir", disse Sinner na ocasião.


O tratamento incluiu ondas de choque, técnica que usa ondas sonoras para atingir tecidos danificados, como parte da fisioterapia prescrita após novos exames em Milão. Não foi suficiente. Nesta sexta, veio a confirmação oficial:


"Apesar de ter trabalhado duro com minha equipe e médicos, tivemos que tomar a difícil decisão de que não poderei participar do US Open este ano. Nos últimos dois dias, retornei aos treinos na quadra em Monte Carlo e percebi que ainda preciso de mais tempo para me recuperar do problema no meu joelho direito".

"Obviamente, estou muito triste e desapontado, porque Nova York ocupa um lugar especial no meu coração. Eu estava realmente ansioso para voltar e jogar em sua atmosfera eletrizante, diante dos maravilhosos fãs de lá", completou o número 1 do mundo, vice-campeão em Nova York na edição passada, justamente diante de Alcaraz.


A volta de Alcaraz

Homem sorrindo de perfil, com boné preto para trás e camiseta preta, em fundo claro desfocado; texto JUST DO no boné.
Carlos Alcaraz (Foto: Reprodução/Instagram)

Do outro lado da chave, o alívio. Depois de mais de quatro meses de dúvida sobre sua condição física, Alcaraz encerrou a especulação em vídeo publicado no Instagram:


"Estou de volta, aqui vamos nós".

O calvário começou em 14 de abril, quando o espanhol se lesionou no punho direito logo na estreia em Barcelona, poucos meses depois de conquistar o Aberto da Austrália e assumir a liderança do ranking. A recuperação foi mais longa do que o previsto: Alcaraz desistiu de toda a temporada de saibro e de grama, e também não competiu nos Masters 1000 de Madri, Roma, Montréal e Cincinnati. Chegou a cogitar antecipar o retorno em algum torneio preparatório de saibro duro, mas não houve tempo hábil.


Com a inatividade, o espanhol caiu para o terceiro lugar do ranking, ultrapassado por Zverev nesta semana justamente por não ter defendido o vice de Cincinnati. Mesmo assim, segue entre os três primeiros da corrida do ATP Finals, podendo cair para a quarta posição caso o italiano Flavio Cobolli chegue à final do Masters 1000 americano.


Os treinos decisivos com Rune


A decisão de voltar passou por uma bateria de testes ao lado do dinamarquês Holger Rune, rival e amigo de longa data do espanhol, apenas seis dias mais velho. A sessão conjunta durou quase quatro horas e incluiu simulação de jogo em condições parecidas com as do US Open: quadra dura, ritmo de partida prolongado. Segundo a imprensa espanhola, Alcaraz venceu o set disputado por 7/6.


O nível de intensidade, segundo relatos, foi alto, e o feedback físico, excelente. Foi esse teste de quinta-feira que convenceu Alcaraz e sua equipe de que o punho responde a 100%. Segundo o jornal Marca, ele viaja a Nova York no início da próxima semana para fechar a preparação já nas instalações do US Open.


Roddick: "o jogador mais emocionante do tênis"

Andy Roddick, ex-número 1 do mundo e hoje comentarista, admitiu publicamente que esperava não ver Alcaraz em Nova York e comemorou estar errado.


"Estou agradavelmente surpreso e minhas suspeitas estavam erradas. Estou entusiasmado. Ele é o jogador mais emocionante do tênis. Nunca sabemos o que esperar dele", afirmou no podcast Served.


O norte-americano pondera que a falta de ritmo pode custar caro cedo na chave, mas reforça que o simples fato de o espanhol estar em quadra já é uma vitória para o esporte:


"Para ele jogar, tenho que pensar que o risco de uma lesão maior é praticamente nulo. Parece que está disposto a aceitar que talvez suas pernas estejam cansadas, que talvez não tenha jogado muitas partidas. Pode perder na primeira ou na segunda rodada, mas vai seguir em frente. Isso é fantástico, é uma grande vitória para o tênis".

Antes da confirmação de Alcaraz, o próprio Roddick já havia verbalizado o temor de um US Open sem seus dois maiores nomes: "No pior dos casos, se não tivéssemos Sinner e Alcaraz, teria sido um pesadelo".


Zverev sonha com o número 1 inédito

A ausência de Sinner abre uma fresta real para Zverev, que nunca ocupou o topo do ranking. A distância entre os dois nas 52 semanas ainda é grande, de 5.010 pontos, mas na corrida da temporada, que vale para o ATP Finals e conta apenas o que foi somado em 2026, a diferença cai para 1.300 pontos.


Alexander Zverev (Cincinnati Open)
Alexander Zverev (Cincinnati Open)

Sinner perderá 650 pontos por não defender o vice de Cincinnati e chegará ao próximo ranking com 12.800 pontos na temporada. Zverev, atual terceiro colocado, ultrapassa Alcaraz e sobe ao segundo lugar geral, com 7.790 pontos, também assumindo a condição de cabeça de chave número 1 do US Open.


A matemática é direta: se for campeão em Nova York, Zverev ultrapassa Sinner na corrida da temporada. Se for vice, empata. Em qualquer um dos dois cenários, a disputa pelo posto de número 1 segue em aberto até o fim do ano.


Fonseca no top 10 das casas de apostas

A lista de favoritos das casas de apostas foi reorganizada com a dupla notícia da semana. Alcaraz aparece bem posicionado apesar dos quatro meses fora de quadra, e Zverev também surge entre os nomes mais cotados, na esteira de sua ascensão ao topo do ranking. Ben Shelton, campeão do Masters 1000 de Montréal na semana passada e principal nome da casa, é o terceiro favorito. Novak Djokovic, recordista de 24 títulos de Grand Slam (o mais recente justamente em Nova York, três anos atrás), aparece em quarto, em busca do quinto troféu no torneio.


Completam o top 10: Taylor Fritz (5º), Rafael Jódar (6º), Arthur Fils (7º), Daniil Medvedev (8º), Félix Auger-Aliassime (9º) e João Fonseca (10º). O carioca, que treinou o abdômen em casa nesta semana após desistir de Cincinnati, chega mesmo assim como o brasileiro mais bem cotado do circuito para o título em Flushing Meadows, à frente de nomes da própria nova geração como o espanhol Jódar e o francês Fils.


Vagas abertas pelas desistências

O efeito cascata das baixas não afeta só o topo da chave. As desistências de Sinner, do norte-americano Ethan Quinn e do canadense Gabriel Diallo abriram vagas diretas para o tcheco Martin Damm e o chinês Yibing Wu. Damm, número 94 do mundo, já tinha um convite da USTA garantido e não vai mais precisar dele. Yibing Wu, 118º da ATP, escapou do qualificatório. A organização ainda não definiu quem herda o convite liberado.


Um dos nomes cotados é Stan Wawrinka, aos 41 anos, em turnê de despedida e ainda sem vaga confirmada na chave principal. Atual número 125 do mundo, está longe de entrar direto pelo ranking e disputou o challenger de Cancun nesta semana, eliminado nas oitavas de final. Na temporada, soma sete vitórias em 22 partidas de nível ATP.


O suíço foi campeão em Nova York há dez anos, ao derrotar Djokovic de virada na final, por 6/7 (1-7), 6/4, 7/5 e 6/3, seu terceiro título de Grand Slam, depois do Aberto da Austrália de 2014 e de Roland Garros de 2015. Ele já anunciou que encerra a carreira nesta temporada, provavelmente no ATP 500 da Basileia, em outubro, e vai organizar em dezembro um evento de exibição ao lado de Roger Federer, Andy Murray e Gael Monfils. Caso não receba o convite, precisará buscar vaga pelo qualificatório. A lista de baixas também inclui o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, fora por lesão nas costas, o que deve mexer na ordem dos cabeças de chave.


Duplas mistas: aposta em Serena e Alcaraz

A volta do espanhol reacendeu também a expectativa em torno das duplas mistas. Serena Williams, ex-número 1 e hexacampeã do US Open, comentou na publicação de Alcaraz no Instagram: "Eles não estão preparados", alimentando o rumor de uma parceria entre os dois. No início de agosto, a Sports Illustrated já havia informado que a dupla estava prevista, condicionada à recuperação física do espanhol.


Alcaraz disputou as mistas no ano passado ao lado da britânica Emma Raducanu, como convidados, eliminados na estreia por Jessica Pegula e Jack Draper em sets diretos. A chave deste ano terá 16 duplas, com entrada direta garantida para Aryna Sabalenka e Djokovic, Iga Swiatek e Casper Ruud, Elena Rybakina e Fritz, além de Daniil Medvedev ao lado de Diana Shnaider. Entre os convidados já confirmados estão a ucraniana Elina Svitolina com o marido francês Gael Monfils (também em despedida do circuito) e os atuais campeões, os italianos Sara Errani e Andrea Vavassori. A britânica Katie Boulter e o australiano Alex de Minaur, recém-casados, também já garantiram presença. Três convites ainda serão definidos, e Serena e Alcaraz podem ocupar uma dessas vagas.


Roddick também defende a ideia: "Acho que ele deveria jogar as duplas mistas se puder. Não sei qual é sua progressão ou como estão priorizando os treinamentos, mas isso seria uma grande vitória não apenas para o US Open, mas para toda a semana dos fãs".

O Brasil também estará representado na briga por vaga nas mistas: Luísa Stefani jogará ao lado do britânico Neal Skupski no qualificatório, que reúne oito parcerias disputando duas vagas na chave principal, na próxima segunda-feira.


Premiação recorde de US$ 108 milhões

Em meio a tanta movimentação na chave, a organização confirmou a premiação da edição 2026: US$ 108 milhões, cerca de R$ 563 milhões, alta de 20% sobre os US$ 90 milhões do ano passado. Os campeões de simples, masculino e feminino, vão receber US$ 5,5 milhões cada, o maior prêmio individual da história do tênis, 10% a mais do que os US$ 5 milhões pagos a Alcaraz e Aryna Sabalenka em 2025.


Os vices vão embolsar US$ 2,8 milhões, os semifinalistas, US$ 1,45 milhão, e os quadrifinalistas, US$ 780 mil. Mesmo quem cair na estreia vai receber pelo menos US$ 140 mil, valor recorde para uma primeira rodada de Grand Slam. Nas duplas, o título vale US$ 1 milhão a ser dividido pela parceria, com US$ 500 mil para os vices, US$ 250 mil para os semifinalistas e US$ 125 mil para os quadrifinalistas. No qualificatório, os valores também subiram: US$ 32 mil na primeira rodada, US$ 48 mil na segunda e US$ 66 mil na terceira, que vale vaga na chave principal.


O reajuste chega em meio à pressão de jogadores da ATP e da WTA por uma fatia maior da receita dos Grand Slam. Jessica Pegula chegou a dizer, durante o WTA 1000 de Cincinnati, que os números do US Open poderiam influenciar novos boicotes. Wimbledon distribuiu US$ 87,5 milhões nesta temporada, o Aberto da Austrália, US$ 75 milhões, e Roland Garros, US$ 71,7 milhões. Em dois anos, o US Open saltou de US$ 75 milhões (2024) para os atuais US$ 108 milhões, alta de 44%.


Ingressos com preços exorbitantes

A alta demanda também disparou o mercado de revenda. O passe de acesso às quadras externas tem valor de face de US$ 65, mas já foi revendido por até US$ 360, segundo o The Athletic, disparado na comparação com os outros três Grand Slam: US$ 45 em Wimbledon, US$ 46,50 em Roland Garros e US$ 34 no próximo Aberto da Austrália.


O fenômeno é atribuído à valorização de eventos ao vivo no pós-pandemia, que transformou torneios como o US Open em vitrines de nível de show de superestrela, e à percepção dos próprios organizadores sobre esse potencial de lucro. O Estádio Arthur Ashe está no meio de uma reforma de US$ 800 milhões, com foco em ampliar espaços de hospitalidade premium.


O US Open começa no dia 30 de agosto, com Zverev como cabeça de chave número 1, Alcaraz de volta à briga pelo bicampeonato, Sinner ausente pela primeira vez em anos e Fonseca tentando confirmar, entre os dez mais cotados, que a recuperação do abdômen chega a tempo do último Grand Slam da temporada.

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