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Tênis brasileiro vive fim de semana de títulos e bons resultados pelo mundo

  • há 43 minutos
  • 5 min de leitura

De Nottingham a San Gregorio, passando por Poznan e Halle, o tênis brasileiro carimbou um fim de semana cheio. Foram quatro títulos em quatro países diferentes, um marco histórico, um tabu encerrado e até um vice de João Fonseca que, nas circunstâncias, vale quase como troféu. Sábado e domingo renderam motivos de sobra para comemorar.


O destaque ficou por conta de Gustavo Heide, que conquistou em Poznan, na Polônia, o maior título da carreira. O número 2 do Brasil e 187 do mundo bateu o argentino Facundo Diaz Acosta por duplo 6/2, em 1h23, e levantou o troféu do challenger de nível 100 no saibro polonês. Aos 24 anos, o paulista chega ao 11º título como profissional e ao quarto em challengers, mas os outros três haviam sido em torneios da categoria 75. Este é outro patamar. E veio com sabor de revanche: Heide havia perdido os dois duelos anteriores para Diaz Acosta, incluindo a final de Francavilla al Mare, em maio.


Heide encerra tabu e crava melhor ranking

Tenista gritando com raquete na quadra de saibro, diante de arquibancadas verdes quase vazias e painel com texto parcial.
Gustavo Heide (Foto: Enea Poznan Open)

Na segunda-feira, Heide celebrará também o melhor ranking da carreira. De volta ao top 150, ele deve aparecer no 138º posto, superando o 142º lugar obtido em agosto de 2024. Além dos 100 pontos, levou para casa uma premiação de 23.750 euros. Em campanha de domínio absoluto, fechou todos os seus games de saque na decisão, converteu duas das cinco chances de quebra e não deu ao argentino, ex-número 47 do mundo e hoje 127º, qualquer brecha para reagir. Diaz Acosta buscava o oitavo título de challenger da carreira e o quarto só em 2026.


Romboli levanta troféu inédito na grama

Mais cedo, no sábado, o carioca Fernando Romboli havia conquistado o título de duplas no challenger de Nottingham, na Inglaterra. Ao lado do norte-americano Theodore Winegar, ele superou a parceria estadunidense de Mac Kiger e Reese Stalder por 6/3 e 6/4. Aos 37 anos, Romboli levanta o primeiro troféu da carreira sobre a grama, piso em que nunca havia vencido. É o seu 56º título de duplas como profissional e o 22º em nível challenger. Ele ainda tem dois ATP 250 na galeria, no saibro de Umag em 2021 e de Houston no ano passado.


O triunfo rendeu 125 pontos e uma premiação de 9.010 euros, divididos entre os dois. Vice-campeão do torneio no ano passado ao lado do australiano John-Patrick Smith, o brasileiro terá um pequeno avanço no ranking, subindo do 86º para o 83º lugar. A conquista foi construída no saque: a dupla venceu 80% dos pontos com o primeiro serviço, índice que chegou a 87% no set inicial. O momento mais delicado veio no sétimo game do primeiro set, com um break-point em ponto decisivo salvo. No segundo, Romboli e Winegar quebraram logo na abertura, viram os adversários igualarem em 2/2, mas voltaram a tomar o serviço no sétimo game e administraram a vantagem até o fim.


Gabriela Cé fecha semana perfeita na Itália

No domingo, foi a vez da gaúcha Gabriela Cé. A canhota de 33 anos conquistou o ITF W35 de San Gregorio, no saibro italiano, sem perder um único set em cinco jogos. Cabeça de chave 1, ela superou na final a jovem letã Beatrise Zeltina, de 19 anos e 529ª do ranking, por 6/2 e 6/3. É o 15º e maior título da carreira. Cé não vencia um torneio de simples desde 2024, e sua principal conquista até então era o W25 do Rio de Janeiro, em 2022.


Curiosamente, esta é apenas a segunda taça da brasileira fora da América do Sul, depois do W15 de Nova Gorica, na Eslovênia, em 2024. Hoje na 338ª colocação, Cé cai provisoriamente para o 349º posto, já que os 35 pontos de San Gregorio só entram na semana que vem, quando poderá saltar mais de 30 posições e se reaproximar do top 300. Na final, mostrou superioridade do início ao fim: duas quebras e três break-points salvos no sexto game lhe deram o primeiro set. No segundo, abriu 3/0 antes de uma sequência de seis quebras de saque, das quais levou a melhor em quatro, retomou o controle e confirmou o título.


Candiotto soma mais um na galeria de duplas

Ainda no sábado, a paulista Ana Candiotto faturou o título de duplas do ITF W15 de Luque, no saibro paraguaio. Ao lado da argentina Justina Gonzalez, ela bateu as principais favoritas, a também argentina Luciana Moyano e a equatoriana Camila Romero, por 7/6 (7-4) e 7/5, em 1h56. Aos 22 anos, a tenista de Jundiaí levanta o 17º troféu de duplas no circuito profissional e o segundo nesta temporada, depois do título no saibro de Santiago em março. Sua maior conquista segue sendo o WTA 125 de Cali, no ano passado, ao lado da paulistana Laura Pigossi.


Ex-número 224 do ranking da especialidade, Ana ocupa hoje a 260ª posição e deve seguir assim na atualização de segunda-feira, já que os 15 pontos da campanha só serão computados em 29 de junho. Curiosamente, Moyano, agora rival na final, já havia sido parceira de Candiotto numa conquista, no W15 de Lima em 2025.


Fonseca para na final de Halle, mas sai com confiança

A única decisão que escapou foi a de duplas do ATP 500 de Halle, na Alemanha, onde João Fonseca e o alemão Daniel Altmaier ficaram com o vice. Neste domingo, a dupla germano-brasileira foi superada pelos especialistas franceses Theo Arribage e Albano Olivetti por 7/6 (7-2) e 6/4, em 1h22. Não é pouca coisa o caminho até lá. Fonseca e Altmaier começaram a semana no qualificatório, caíram na rodada final e só entraram na chave principal como lucky-losers. De última hora, emendaram três vitórias na grama e chegaram à decisão.


Esta foi a segunda final de duplas do carioca de 19 anos, depois do título no Rio Open, em fevereiro, ao lado do mineiro Marcelo Melo. Atual número 25 do mundo nas simples e 159º nas duplas, João se aproxima de um inédito top 100 na especialidade, saltando para o 103º posto. A dupla dividiu 300 pontos e um prêmio de 84.630 euros. Na decisão, os franceses não enfrentaram um único break-point, dispararam 11 aces contra três e ganharam 86% dos pontos com o primeiro saque.


Apesar da derrota, Fonseca saiu satisfeito com a semana na grama, sobretudo depois de cair na estreia de simples para o anfitrião Yannick Hanfmann por duplo 6/2.


"Foi uma semana positiva, com certeza. Depois da derrota na simples, em que não consegui jogar bem, foi importante encontrar um ritmo melhor na grama e passar mais tempo competindo nessa superfície. Isso também traz confiança. Poder sentir a pressão nos momentos importantes, tanto no saque quanto na devolução, jogar com a torcida, viver essas situações de jogo. Tudo isso foi muito importante para mim", destacou o número 1 do Brasil.


Na entrevista em quadra, o carioca admitiu não ter predileção pelas duplas, mas valorizou a campanha. "Morro de amor por jogar simples, não muito por duplas, mas chegar à final foi muito bom. Halle é um dos torneios que mais gosto, então quero agradecer a todos que fazem parte disso."


Próximos compromissos

A agenda não dá folga. Heide segue direto para o qualifying de Wimbledon, que começa em Roehampton na próxima semana, mesmo objetivo de Romboli ao lado de Winegar. Fonseca, garantido como um dos 24 primeiros cabeças de chave do Grand Slam britânico, disputa antes mais um preparatório na grama, em Eastbourne, na Inglaterra. "Agora é seguir para o próximo desafio, em Eastbourne. Tenho me sentido cada vez melhor na grama. É um torneio um pouco mais lento do que Halle, e tenho boas lembranças de lá. Joguei bem no ano passado e gostei do meu nível", recordou o carioca, que em 2025 chegou às oitavas de final no torneio, caindo por 2 sets a 1 para o norte-americano Taylor Fritz.

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