Viral: tenista é desclassificado após arremessar raquete em celebração e acertar adversário
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Deividas Bandzevicius tinha acabado de fazer tudo certo. Havia vencido o primeiro set, e começado a terceira parcial focado após ver seu adversário empatar a partida. Se manteve no jogo até o final, disposto a superar a estreia. No tie-break derradeiro, soube aproveitar as chances e fechou o duelo, eliminando o italiano Emiliano Bratomi na primeira rodada do J60 Aizkraukle Cup, na Letônia. Parciais de 6/3, 4/6 e 7-6(5). Classificado! Ou não... o que veio a seguir durou poucos segundos e colocou tudo a perder.
Na comemoração, o lituano de 17 anos arremessou a raquete. Ela voou alto, atravessou a rede foi parar nos pés de Bratomi. A arbitragem aplicou desclassificação imediata. Bandzevicius saiu da quadra com o placar registrado no sistema, mas sem pontos pela "vitória". E com um vídeo viral acumulando centenas de milhares de visualizações nas redes sociais. Confira o lance:
A competição é disputada na cidade que dá nome ao torneio, ao sul da capital Riga, sobre carpete indoor, com encerramento previsto para 11 de abril. O episódio foi capturado pela transmissão ao vivo do próprio evento. Bandzevicius ocupa o posto 1136 do ranking ITF júnior e a vitória sobre Bratomi seria seu único resultado positivo em três partidas disputadas na temporada de 2026. Com a desclassificação, perdeu também a chance de enfrentar o ucraniano Volodymyr Revenko, cabeça de chave 5, na segunda rodada. Revenko avançou às quartas sem entrar em quadra.
A regra entrou em cena antes que qualquer discussão pudesse começar.
Pelo código de conduta da ITF, o contato físico com adversário, árbitro ou espectador dentro do recinto do torneio é enquadrado como abuso físico e sujeita o jogador à desclassificação imediata, independentemente de intenção ou gravidade do impacto. O árbitro não tem margem de discricionariedade quando o contato ocorre: a desclassificação é a consequência prevista, não uma opção.
O vídeo circulou rapidamente. O perfil Tennis Legend, referência do tênis em francês, publicou o clip e já conta com centenas de milhares de visualizações. Nos comentários, dividiu-se o debate: parte do público questionou a reação de Bratomi ao ser atingido, descrita por muitos como desproporcional ao impacto. A discussão, no entanto, não altera o resultado.
O tênis já viu esse filme antes
O episódio de Aizkraukle tem antecedentes que se repetem com perturbadora regularidade. Em março de 2024, Andrey Rublev viveu a versão mais cara da mesma lógica.
Nas semifinais do ATP 500 de Dubai contra Alexander Bublik, o russo havia construído uma vantagem sólida no set decisivo antes de ceder. Com o placar em 6/5 para o adversário, foi até o juiz de linha reclamar de uma marcação e gritou na sua face. Um segundo árbitro, falante de russo, reportou ao supervisor o que havia ouvido, e a desclassificação veio antes do próximo ponto. Rublev recorreu e recuperou os pontos e a premiação acumulada, mas a desclassificação foi mantida e ele ainda ficou com uma multa de US$ 36.400.
Em outubro de 2023, o australiano Marc Polmans teve a derrota mais cruel da lista. Disputando a última rodada do quali do Masters 1000 de Xangai, estava a um ponto de vencer quando errou um voleio e rebateu a bola em frustração, que acertou o árbitro Ben Anderson no rosto. Polmans foi desclassificado no ato, perdeu a vaga no chaveamento principal e aproximadamente US$ 18.000 em premiação garantida. Anderson saiu do estádio colocando gelo na face.
Em abril de 2025, o russo Svyatoslav Gulin foi desclassificado do ITF espanhol M25 de Sabadell enquanto liderava por 7/5, 3/6 e 4/0 no terceiro set contra o atleta da casa Sánchez Quilez. Gulin subiu à rede durante a disputa de um ponto. E ao ver o adversário mandar a bolinha para fora, faz um gesto com a mão em direção à genitália, com palavrões correspondentes.
O gesto foi acompanhado também por um gesto em direção ao juiz. O russo se direciona, então, para o fundo da quadra e repete o gesto na direção do árbitro de cadeira. Como consequência, é desclassificado sumariamente da partida, sendo eliminado do torneio após 2h29 de duração
O precedente mais famoso continua sendo o de Novak Djokovic no US Open 2020. Frustrado com uma quebra, o sérvio rebateu uma bola para trás sem olhar e acertou uma juíza de linha no pescoço. Era o número 1 do mundo. A desclassificação foi imediata, custou US$ 250.000 em premiação e mais US$ 10.000 de multa. O gesto foi involuntário. A regra não perguntou.
Em todos esses casos, a dinâmica é a mesma: um momento, um gesto, uma consequência desproporcional ao ocorrido, mas absolutamente prevista no regulamento. Para a ITF e a ATP, abuso físico não tem gradação de intenção. Ou houve contato, ou não houve.
A repercussão dividiu a internet
A Tennis Legend também publicou o vídeo em seu Facebook. Nesta rede, gerou centenas de comentários em poucas horas, com o debate se dividindo em três frentes: os que defenderam a desclassificação como justa e pedagógica, os que consideraram a punição desproporcional ao gesto, e os que desviaram o foco para a reação de Bratomi ao ser atingido.
No campo dos que apoiaram a arbitragem, o argumento mais recorrente foi o da clareza da regra. "Não é sério. Há uma regra. Ela foi aplicada. Se a gente começa a dizer 'a raquete mal roçou, o outro está fazendo drama'... é que não entendeu nada. Uma regra é uma regra, independente da consequência", escreveu o usuário Will. Laetitia Lelou foi mais cirúrgica na distinção: "Ele jogou a raquete DELIBERADAMENTE, e ela foi parar no adversário de forma involuntária. Se ele não joga a raquete, isso não acontece. Ponto." Antoine Croix foi ao essencial: "Você arremessa a raquete no adversário e o que acontece? Você leva uma bronca? As crianças que veem isso têm uma informação clara. Sua raquete: você a mantém na mão."
O comentário mais afiado veio de JB Magnin, que fez a ponte com o precedente mais famoso do esporte: "Ele não precisava ter feito isso. Igual ao Djokovic que manda uma bola numa juíza de linha. Me lembra meus alunos: 'Não foi de propósito.' Minha resposta: 'Você devia ter feito de propósito não fazer.'"
Do outro lado, o argumento central foi o de que o gesto era uma comemoração sem intenção de causar dano, e que a punição apaga um resultado construído em quadra. Seb Chine respondeu diretamente a quem pedia a desclassificação: "Ele joga a raquete para cima, em nenhum momento isso é voluntário. E nem estou falando do outro que simula uma lesão. Temos o direito de ser felizes quando ganhamos." Laurence Guichard trouxe a comparação com o topo do ranking profissional: "Medvedev pode quebrar raquetes no meio de uma partida sem levar nem uma advertência. Aqui não é intencional, é lamentável, mas francamente não vale uma desclassificação."
O advogado não oficial do episódio foi Vincent Bonnin, que apontou o que chamou de lacuna regulamentar: "Estamos num vazio jurídico. Se o arremesso de raquete que atinge alguém vem de um gesto de raiva, a desclassificação é indiscutível. Mas nada está previsto para um arremesso de raquete durante uma comemoração. Para mim, deveria ser desclassificação direta de qualquer forma. Não existe hierarquia em gestos perigosos por falta de controle emocional."
A terceira frente foi a que mais gerou humor involuntário. Vários comentaristas focaram na reação de Bratomi ao ser atingido, comparando-a às simulações do futebol. "O cara em frente simulando a lesão", resumiu Rudy Mezza, com dois emojis de encolher os ombros. Pierre-Alexandre Martinat foi mais direto: "Merecido, mas o teatro do outro jogador fingindo a lesão... estamos no futebol?" As referências a Neymar apareceram em pelo menos cinco comentários diferentes.
O debate captura com precisão a contradição central do episódio: a regra funciona exatamente como foi desenhada, e ainda assim o resultado parece injusto para metade de quem assiste. Bandzevicius ganhou o match. Perdeu o torneio. E nenhum comentário no Facebook muda isso.
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